O gosto de Elenir Cieslak de Lima pelas estradas começou muito antes de pegar pela primeira vez no volante de um caminhão. Casada com o caminhoneiro Albino de Lima há 40 anos, ela atuava, a princípio, como auxiliar. Aos poucos, ela foi aprendendo o ofício e, quando o marido sofreu um acidente, se viu na necessidade de conduzir o veículo que possuíam para manter a casa.

De lá para cá, 22 anos se passaram e há 10 ela se tornou condutora profissional, assumindo “carreira solo”. Apesar da resistência inicial do esposo e de muitos colegas (machismo que, infelizmente, ainda está presente nas estradas), ela não se intimidou com os desafios e não se arrependeu da decisão que tomou. “Esta decisão só fortaleceu meu casamento e o relacionamento com os filhos. Aliás, mesmo que a contragosto do meu marido, ensinei três dos cinco filhos a também serem caminhoneiros”, recorda.

Dona de um Iveco 2010 (6 eixos), a sua rota vai de Joinville, onde mora há 30 anos, para várias cidades do Nordeste. “Pelo caminho, costumo encontrar o marido e os filhos mais vezes do que em casa”, relata.

Elenir entende que a paixão pelo ofício e a imposição de respeito é condição fundamental para uma mulher ter sucesso nesta profissão. “Em momento algum você pode abrir mão da seriedade, deixar claro que você está ali para obter o sustento da família. É preciso que a mulherada que está na estrada redobre alguns cuidados, como com o local onde vai passar a noite com o caminhão. Hoje, aonde chego, sou respeitada e parabenizada, e toda a mulher que seguir estes passos também será”, salienta.

Sobre o número crescente de mulheres atuando como caminhoneiras (200 mil habilitadas, segundo o Departamento Nacional de Trânsito [Denatran]), ela deixa alguns conselhos para quem está começando na profissão. “Para encarar os desafios que a estrada apresenta, você tem que realmente gostar do que se faz. Se for mulher, essa paixão precisar ainda maior, porque as dificuldades também são”, destaca. “Você não pode ter medo e sempre agir com responsabilidade, seguindo as regras de trânsito, obedecendo às normas da empresa quando o caminhão não for seu e estudar bem a rota que vai fazer para não cair em cilada. Enfim, precisa avaliar a situação por completo para não ter arrependimento depois”, analisa.

Elenir cita os três principais pilares da sua vida pessoal e profissional. “Primeiro, Deus no comando; segundo, amor pela família; terceiro, amor e respeito pela profissão. Seguindo esse caminho, de respeitar para ser respeitada e amar o que faz, você nunca falha”, destaca.

Elenir e seu companheiro de estrada: um Iveco 2010


Com o marido Albino, o casal roda - cada um com seu caminhão - todo o Brasil


Em 22 anos de boleia, Elenir conheceu muitos lugares de todo o Brasil